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Comprimido diário alcança resultado inédito no câncer que mais mata no Brasil e muda futuro de pacientes
Durante décadas, receber o diagnóstico de um câncer de pulmão avançado significava enfrentar uma expectativa de vida muito curta, repleta de incertezas e tratamentos agressivos.
No entanto, a ciência médica deu um passo histórico ao testar uma nova alternativa em formato de comprimido, capaz de controlar a doença por longos períodos em casos específicos.
Conforme informação divulgada pelo portal g1, essa inovação representa uma verdadeira revolução na oncologia moderna, embora ainda esbarre em barreiras significativas de acesso no sistema público de saúde.
O avanço do tratamento com lorlatinibe
A pesquisa acompanhou pacientes com câncer de pulmão avançado usando o medicamento lorlatinibe, tomado diariamente em casa.
Após sete anos de acompanhamento contínuo, 55% dos pacientes permaneceram vivos e sem qualquer progressão da doença.
Esse patamar é considerado inédito pelos especialistas, visto que antigamente a quimioterapia tradicional não conseguia manter pacientes livres de progressão por tanto tempo.
Segundo o oncologista Gustavo Schvartsman, do Hospital Sírio-Libanês, a evolução das terapias-alvo mudou completamente o panorama terapêutico.
Ele afirmou que nunca alguém passava de cinco anos sem a doença progredir quando só existia quimioterapia, enquanto agora o cenário é totalmente diferente.
Como funciona a terapia-alvo para o gene ALK
É fundamental destacar que o lorlatinibe não é indicado para qualquer pessoa que receba o diagnóstico da doença.
O medicamento funciona exclusivamente em pacientes cujos tumores apresentam uma alteração genética específica, chamada rearranjo de ALK.
Essa mutação está presente em cerca de 3% a 7% dos casos do tipo mais comum de câncer de pulmão, impulsionando o crescimento desordenado das células.
A substância foi projetada exatamente para bloquear essa proteína defeituosa, interrompendo os sinais que mantêm o tumor ativo.
Além disso, o remédio consegue atravessar a barreira hematoencefálica, combatendo metástases cerebrais, que são complicações frequentes nesses casos avançados.
Histórias reais e os desafios do acesso
Histórias como a de Paula Piteri mostram o impacto emocional positivo que a nova terapia proporciona aos doentes.
Ela descobriu o problema aos 38 anos e, após a recidiva, passou a utilizar o medicamento com cobertura de plano de saúde.
Apesar dos benefícios clínicos evidentes, o alto custo da medicação, que pode chegar a R$ 37 mil por mês, impede o acesso universal.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde avaliou o caso, mas não aprovou a inclusão devido à relação de custo-efetividade.
Especialistas reforçam que a jornada terapêutica ainda exige superações, desde a realização de testes genéticos adequados até a ampliação do acesso público.





